Empreita e Palma

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Domínio: Competências no âmbito de processos e técnicas tradicionais

Categoria: Actividades transformadoras

A empreita é um dos elementos identificadores da “cultura material algarvia”, pelo aproveitamento de um elemento vegetal abundante na região – a palmeira anã (Chamaerops humilis), planta autóctone característica do Barrocal e Serra – e pelos seus usos antigos para o acondicionamento e transporte de bens, trabalhos do campo, artes da pesca ou arrumos e asseio da casa.

Alcofas e balaios para acondicionar produtos agrícolas, esteiras para guardar e secar figos, gorpelhas para muares ou burros que acarretavam a azeitona, vassouros para caiar ou capacheiras para dentro se moer milho para o xerém e se peneirar farinha para o pão, eram alguns dos bens essenciais à vida no campo feitos a partir do trabalho da palma (folha da palmeira-anã).

Começava-se cedo nas artes da empreita (assim chamada por em tempos ter sido paga de acordo com a quantidade produzida ao dia), com as raparigas ajudando aos serões as mães a entrançar a palma em longas fitas, naquela que era uma importante actividade complementar do trabalho da terra.

A palmeira anã, também chamada palmeira das vassouras, é mais comum nos terrenos calcários do Barrocal. As palmas são apanhadas entre Junho e Setembro e secam-se ao ar. São depois ripadas pelas nervuras em tirinhas e salpicadas com água, para humedecerem e ficarem brandas, algumas horas antes de se começar a trabalhar. A base do trabalho de empreita é a trança executada com o entretecer das tiras. Para coser as fitas dando forma ao objecto desejado usava-se a baracinha (um cordel delgado feito de palma), também utilizado nas vassouras para unir as folhas de palma num cabo de cana.

Mais Informações:

CIIPC – Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela